Estofos e restauro de mobiliário
Estofamos e restauramos sofás, cadeirões, cadeiras, bancos e cabeceiras de cama, de vários estilos e épocas, vindos de várias partes da Europa, incluindo Portugal. Em função de cada peça, escolhemos as técnicas adequadas: tradicionais, com molas e crina, ou contemporâneas, com esponjas.

Como se faz um estofo
Um estofo começa por dentro e só acaba no tecido. Estas são as etapas de um estofo tradicional; no estofo contemporâneo, as molas e a crina dão lugar a esponjas de várias densidades. Por baixo de cada nome do ofício, a explicação em português.
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Dégarnissage
Desguarnecer
Retirar o estofo antigo, camada a camada, até à estrutura de madeira, que se consolida se for preciso.
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Sanglage
Percintas
Cintas de juta ou elásticas, esticadas e entrelaçadas na estrutura: são a base do assento.
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Guindage
Molas amarradas à mão
Molas bicónicas (em forma de ampulheta) cosidas às percintas e amarradas com cordel, para o assento ceder por igual.
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Toile forte
Tela de juta
Uma tela resistente cobre as molas e segura o enchimento.
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Garniture
Crina e enchimento
Crina de cavalo ou crina vegetal (fibra de palmeira), cardada e cosida à mão: é o enchimento que dá forma ao assento e às costas.
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Mise en blanc
Tecido branco
Um primeiro tecido de algodão cru, que fixa a forma antes do tecido final.
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Ouate
Dracalon
Uma manta de fibra (Dracalon) por baixo do tecido final: suaviza o toque e protege o tecido do atrito.
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Couverture
Cobertura e remates
O tecido escolhido, esticado e fixado; por fim, os remates em tachas, galão ou cordão.
No estofo contemporâneo usam-se percintas elásticas, esponjas (de várias densidades, consoante a firmeza que a peça pede) e Dracalon. Muitas vezes juntamos as duas técnicas na mesma peça.
No atelier, etapa a etapa




Técnicas de estofo, remates e pregaria
Estofos de todos os tipos: não só à maneira francesa, mas de várias escolas e épocas. O tipo de estofo, os remates e a pregaria escolhem-se de acordo com o estilo da peça e com o uso que vai ter.
Técnicas de estofo
- Estofo tradicional
- Percintas, molas amarradas à mão, tela de juta, crina e tecido branco, tudo cosido e moldado à mão.
- Estofo contemporâneo
- Percintas elásticas, esponjas de várias densidades e Dracalon; mais leve e rápido de aplicar.
- Capitonê
- Estofo em que botões forrados, cosidos em profundidade, formam losangos ou quadrados no tecido.
- Estofo fixo ou almofadas soltas
- O assento e as costas estofados na estrutura, ou com almofadas independentes, que se tiram e se viram.
- Vivo (debrum)
- Um cordão forrado de tecido, cosido nas arestas, que marca o desenho da peça.
- Pesponto
- Costura à vista, decorativa, ao longo das costuras ou das orlas.
Pregaria e remates
- Tachas decorativas
- Pregos de cabeça redonda, em latão, bronze, níquel ou cobre, polidos, envelhecidos ou martelados.
- Pregaria seguida ou espaçada (clouterie)
- As tachas juntas, cabeça com cabeça, ou a intervalos regulares, ao longo da moldura.
- Fita de tachas
- Tachas presas numa fita, para linhas regulares em peças contemporâneas.
- Pregos de estofador (semences)
- Pequenos pregos de cabeça chata que fixam as camadas e o tecido por baixo dos remates.
- Galão
- Fita decorativa colada ou cosida sobre a orla do tecido, que esconde as fixações.
- Cordão, franja e borlas (passamanaria)
- Remates de fio, cosidos nas orlas, para peças mais decoradas.

Restauro e personalização de mobiliário
Recebemos mobiliário antigo de várias partes da Europa, incluindo Portugal. Consolidamos a estrutura (colamos e apertamos as juntas com sargentos, os grampos de aperto), tratamos a madeira e damos-lhe o acabamento que a peça pede, antes de voltar a estofar no tecido escolhido.
Preservamos o valor histórico de cada peça e, sempre que possível, recuperamos e reaproveitamos os seus próprios materiais. Assim foi com este par de cadeirões: desmontados, lacados a branco na cabine e estofados de novo.
Acabamentos da madeira
Uma peça é lacada ou pintada, consoante o acabamento que se procura; não as duas coisas ao mesmo tempo.
Acabamentos
- Lacagem (laque)
- Várias camadas de laca aplicadas e lixadas: superfície lisa e uniforme, brilhante, acetinada ou mate.
- Pintura
- Tinta aplicada à trincha ou à pistola; pode receber um acabamento envelhecido.
- Verniz
- Película transparente que protege a madeira e deixa ver o veio.
- Cera
- Acabamento natural, aplicado e puxado à mão, que realça a madeira e a pátina.
- Envelhecimento a cera (patine à la cire)
- Cera escura trabalhada à mão para dar à peça o aspecto do tempo.
- Decapagem
- Retirar tintas, lacas ou vernizes antigos antes de um novo acabamento.
Estilos e épocas que já passaram pelo atelier
- Luís XIV (Louis XIV)
- Espaldar alto e direito, braços em voluta, pernas em consola unidas por travessas: o cadeirão «Eduardo».
- Luís XV e neo-Luís XV
- Linhas curvas, pés galbados (em curva) e talha de flores e volutas; o «neo» é o mesmo estilo retomado no século XIX.
- Luís XVI
- Linhas direitas, pernas caneladas (com sulcos verticais), laços, rosetas e troféus em talha.
- Restauração (Restauration)
- França, 1815–1830: madeiras como o acaju e braços em voluta (crosse). O cadeirão «Clémentine».
- Napoleão III (Segundo Império)
- França, 1852–1870: madeira ebanizada ou lacada a preto, torneados e muito estofo.
- Cadeirão Voltaire
- Costas altas e ligeiramente inclinadas, feito para descansar; comum no século XIX.
- Madeira curvada (bois courbé)
- Faia curvada a vapor: as cadeiras de café Thonet e Fischel, do fim do século XIX.
- Design do século XX
- Peças de Pierre Jeanneret, Charlotte Perriand e Afra e Tobia Scarpa.
Tem uma peça de outro estilo ou de outra época? Envie-nos uma fotografia.
Têxteis à medida para a casa
Para o quarto fazemos cabeceiras de cama estofadas (têtes de lit), capas de sommier, cobre-pés e almofadas decorativas; para a sala, almofadas e capas à medida para sofás.
Escolha o tecido e confeccionamos tudo à medida, de acordo com o ambiente que já existe na divisão.


Palhinha e empalhamento
Substituímos a palhinha (cannage, o entrançado de cana dos assentos e dos encostos) e refazemos o empalhamento (paillage, o assento de bunho entrançado) de cadeiras, cadeirões e bancos.
Já substituímos por inteiro a palhinha de um cadeirão Luís XVI de finais do século XVIII ou inícios do XIX, pusemos cana nova em dois cadeirões e num banco de Pierre Jeanneret (os cadeirões seguiram para a Galeria Tambien, em Ibiza) e refizemos o empalhamento de cadeirões de Charlotte Perriand.
Tem uma peça para estofar ou restaurar?
Envie-nos fotografias para contacto@ateliermillet.com ou traga-a ao showroom. Dizemos-lhe o que se pode fazer, com que técnicas e quanto custa. Trabalhamos em Viseu, na Beira Alta, em todo o país e no estrangeiro.