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Estofos · Restauro · Acabamentos

Estofos e restauro de mobiliário

Estofamos e restauramos sofás, cadeirões, cadeiras, bancos e cabeceiras de cama, de vários estilos e épocas, vindos de várias partes da Europa, incluindo Portugal. Em função de cada peça, escolhemos as técnicas adequadas: tradicionais, com molas e crina, ou contemporâneas, com esponjas.

Cadeirão lacado a branco na bancada da oficina, a receber o novo estofo (ampliar fotografia)
Camada a camada

Como se faz um estofo

Um estofo começa por dentro e só acaba no tecido. Estas são as etapas de um estofo tradicional; no estofo contemporâneo, as molas e a crina dão lugar a esponjas de várias densidades. Por baixo de cada nome do ofício, a explicação em português.

  1. Dégarnissage

    Desguarnecer

    Retirar o estofo antigo, camada a camada, até à estrutura de madeira, que se consolida se for preciso.

  2. Sanglage

    Percintas

    Cintas de juta ou elásticas, esticadas e entrelaçadas na estrutura: são a base do assento.

  3. Guindage

    Molas amarradas à mão

    Molas bicónicas (em forma de ampulheta) cosidas às percintas e amarradas com cordel, para o assento ceder por igual.

  4. Toile forte

    Tela de juta

    Uma tela resistente cobre as molas e segura o enchimento.

  5. Garniture

    Crina e enchimento

    Crina de cavalo ou crina vegetal (fibra de palmeira), cardada e cosida à mão: é o enchimento que dá forma ao assento e às costas.

  6. Mise en blanc

    Tecido branco

    Um primeiro tecido de algodão cru, que fixa a forma antes do tecido final.

  7. Ouate

    Dracalon

    Uma manta de fibra (Dracalon) por baixo do tecido final: suaviza o toque e protege o tecido do atrito.

  8. Couverture

    Cobertura e remates

    O tecido escolhido, esticado e fixado; por fim, os remates em tachas, galão ou cordão.

No estofo contemporâneo usam-se percintas elásticas, esponjas (de várias densidades, consoante a firmeza que a peça pede) e Dracalon. Muitas vezes juntamos as duas técnicas na mesma peça.

No atelier, etapa a etapa

A estrutura do cadeirão «Eduardo» em nogueira, em cru, antes da pintura (ampliar fotografia)
Desguarnecer: retirar o tecido antigo, tacha a tacha.
Cintas no assento e encosto já almofadado, antes do tecido (ampliar fotografia)
Percintas no assento do cadeirão «Eduardo»; o encosto já estofado.
Duas molas bicónicas e dois tufos de crina, castanha e cinzenta, pousados sobre um assento estofado em tecido laranja (ampliar fotografia)
Molas bicónicas e crina, o que fica por baixo do tecido.
Manta de fibra branca agrafada à volta de um painel, com o agrafador na mão (ampliar fotografia)
Manta de fibra agrafada à volta de um painel.
Fazemos de tudo

Técnicas de estofo, remates e pregaria

Estofos de todos os tipos: não só à maneira francesa, mas de várias escolas e épocas. O tipo de estofo, os remates e a pregaria escolhem-se de acordo com o estilo da peça e com o uso que vai ter.

Técnicas de estofo

Estofo tradicional
Percintas, molas amarradas à mão, tela de juta, crina e tecido branco, tudo cosido e moldado à mão.
Estofo contemporâneo
Percintas elásticas, esponjas de várias densidades e Dracalon; mais leve e rápido de aplicar.
Capitonê
Estofo em que botões forrados, cosidos em profundidade, formam losangos ou quadrados no tecido.
Estofo fixo ou almofadas soltas
O assento e as costas estofados na estrutura, ou com almofadas independentes, que se tiram e se viram.
Vivo (debrum)
Um cordão forrado de tecido, cosido nas arestas, que marca o desenho da peça.
Pesponto
Costura à vista, decorativa, ao longo das costuras ou das orlas.

Pregaria e remates

Tachas decorativas
Pregos de cabeça redonda, em latão, bronze, níquel ou cobre, polidos, envelhecidos ou martelados.
Pregaria seguida ou espaçada (clouterie)
As tachas juntas, cabeça com cabeça, ou a intervalos regulares, ao longo da moldura.
Fita de tachas
Tachas presas numa fita, para linhas regulares em peças contemporâneas.
Pregos de estofador (semences)
Pequenos pregos de cabeça chata que fixam as camadas e o tecido por baixo dos remates.
Galão
Fita decorativa colada ou cosida sobre a orla do tecido, que esconde as fixações.
Cordão, franja e borlas (passamanaria)
Remates de fio, cosidos nas orlas, para peças mais decoradas.
Cadeirão terminado, lacado a branco e estofado em tecido claro, numa sala (ampliar fotografia)
Um dos cadeirões, pronto: lacado a branco e estofado de novo.

Restauro e personalização de mobiliário

Recebemos mobiliário antigo de várias partes da Europa, incluindo Portugal. Consolidamos a estrutura (colamos e apertamos as juntas com sargentos, os grampos de aperto), tratamos a madeira e damos-lhe o acabamento que a peça pede, antes de voltar a estofar no tecido escolhido.

Preservamos o valor histórico de cada peça e, sempre que possível, recuperamos e reaproveitamos os seus próprios materiais. Assim foi com este par de cadeirões: desmontados, lacados a branco na cabine e estofados de novo.

Acabamentos da madeira

Uma peça é lacada ou pintada, consoante o acabamento que se procura; não as duas coisas ao mesmo tempo.

Acabamentos

Lacagem (laque)
Várias camadas de laca aplicadas e lixadas: superfície lisa e uniforme, brilhante, acetinada ou mate.
Pintura
Tinta aplicada à trincha ou à pistola; pode receber um acabamento envelhecido.
Verniz
Película transparente que protege a madeira e deixa ver o veio.
Cera
Acabamento natural, aplicado e puxado à mão, que realça a madeira e a pátina.
Envelhecimento a cera (patine à la cire)
Cera escura trabalhada à mão para dar à peça o aspecto do tempo.
Decapagem
Retirar tintas, lacas ou vernizes antigos antes de um novo acabamento.

Estilos e épocas que já passaram pelo atelier

Luís XIV (Louis XIV)
Espaldar alto e direito, braços em voluta, pernas em consola unidas por travessas: o cadeirão «Eduardo».
Luís XV e neo-Luís XV
Linhas curvas, pés galbados (em curva) e talha de flores e volutas; o «neo» é o mesmo estilo retomado no século XIX.
Luís XVI
Linhas direitas, pernas caneladas (com sulcos verticais), laços, rosetas e troféus em talha.
Restauração (Restauration)
França, 1815–1830: madeiras como o acaju e braços em voluta (crosse). O cadeirão «Clémentine».
Napoleão III (Segundo Império)
França, 1852–1870: madeira ebanizada ou lacada a preto, torneados e muito estofo.
Cadeirão Voltaire
Costas altas e ligeiramente inclinadas, feito para descansar; comum no século XIX.
Madeira curvada (bois courbé)
Faia curvada a vapor: as cadeiras de café Thonet e Fischel, do fim do século XIX.
Design do século XX
Peças de Pierre Jeanneret, Charlotte Perriand e Afra e Tobia Scarpa.

Tem uma peça de outro estilo ou de outra época? Envie-nos uma fotografia.

Têxteis à medida para a casa

Para o quarto fazemos cabeceiras de cama estofadas (têtes de lit), capas de sommier, cobre-pés e almofadas decorativas; para a sala, almofadas e capas à medida para sofás.

Escolha o tecido e confeccionamos tudo à medida, de acordo com o ambiente que já existe na divisão.

Almofada rectangular estampada com aves, flores e folhagem sobre fundo verde, na mesa do atelier (ampliar fotografia)
Almofada rectangular estampada com aves e flores.
A cabeceira de cama em linho vista de lado, com o rebordo estofado (ampliar fotografia)
Cabeceira de cama em linho, com o rebordo estofado.

Palhinha e empalhamento

Substituímos a palhinha (cannage, o entrançado de cana dos assentos e dos encostos) e refazemos o empalhamento (paillage, o assento de bunho entrançado) de cadeiras, cadeirões e bancos.

Já substituímos por inteiro a palhinha de um cadeirão Luís XVI de finais do século XVIII ou inícios do XIX, pusemos cana nova em dois cadeirões e num banco de Pierre Jeanneret (os cadeirões seguiram para a Galeria Tambien, em Ibiza) e refizemos o empalhamento de cadeirões de Charlotte Perriand.

Tem uma peça para estofar ou restaurar?

Envie-nos fotografias para contacto@ateliermillet.com ou traga-a ao showroom. Dizemos-lhe o que se pode fazer, com que técnicas e quanto custa. Trabalhamos em Viseu, na Beira Alta, em todo o país e no estrangeiro.

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